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O CANGAÇO EM FOCO
Desde: 28/02/2011      Publicadas: 854      Atualização: 09/11/2013

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 MULHERES NO CANGAÇO

  10/07/2011
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Sertão perfumado

Ao fiar do artesanato de bilro dos sertões alagoanos, vozes femininas cantam suas memórias ritmadas no sol forte da caatinga.

Sertão perfumadoSertão perfumado


NA MEMÓRIA POPULAR DO NORDESTE, FICARAM PARA SEMPRE AS HISTÓRIAS DE MARIA BONITA, DADÁ E MUITAS MULHERES QUE DERAM UM TOQUE DE DELICADEZA À VIOLÊNCIA DO CANGAÇO

Ao fiar do artesanato de bilro dos sertões alagoanos, vozes femininas cantam suas memórias ritmadas no sol forte da caatinga.

Memórias que falam, entre outras histórias, do cotidiano de mulheres fortes: as "Marias cangaceiras", que jamais perderam a ternura, mesmo quando precisaram empunhar armas de fogo para defender seus homens, seus amores, sua liberdade. No embate entre a história acadêmica e a memória popular, o cangaço recebe leituras diversas, ora glorificado como um movimento heróico, contrário à injustiça social do coronelismo latifundiário, ora condenado como um banditismo sanguinário, sem escrúpulos.

Atuando como guardiãs das lembranças dos excluídos da historiografia tradicional, as cantigas sertanejas em seus enredos musicais apresentam mulheres como Maria Bonita, Dadá, Áurea, Enedina, Inacinha, Otília, Neném e tantas outras que se embrenharam pelas matas com seus companheiros, fosse pelo rapto ou consentimento, construindo uma vida alternativa ao padrão de submissão que o patriarcalismo ruralista lhes impunha.

Entre 1870 e 1940, a intensidade da desigualdade econômica teve como resposta a violência do cangaço, um movimento proveniente das questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, protagonizado por grupos ou indivíduos isolados que assaltavam fazendas, seqüestravam coronéis (grandes fazendeiros), saqueavam comboios e armazéns, realizavam castrações e assassinatos.

Sem moradia fixa, perambulavam pelo sertão, praticando essas ações, fugindo e se escondendo.

O cangaço se dividia em três subgrupos: os que faziam serviços esporádicos para os latifundiários; os "políticos", representando o poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com características de banditismo. No interior de tanta brutalidade, a presença feminina surge como elemento fundamental para aliviar as tensões e suavizar discordâncias.

Apesar da vida dura, essas mulheres não perdiam sua feminilidade, percebida no cordel do escritor Franka, apresentado em vaquejadas no interior do Brasil: Maria, a mais bonita que uma bola prateada, usava batom e fita e andava bem armada, se um carro dirigia, A Ford toda rangia, em tudo foi ela ousada.
Até o final de 1929 e início de 1930 não se tem notícias da presença feminina no cangaço.

Contudo, após uma batalha na Fazenda Favelas, perto da cidade de Juazeiro, na Bahia, os soldados que inspecionaram o local encontraram um lenço cor-de-rosa perfumado. Era o primeiro vestígio da existência de mulheres nos bandos cangaceiros, marcando também o início de muitas mudanças.
A primeira mulher a se juntar aos bandos de cangaceiros foi Maria Gomes de Oliveira, que ficou conhecida pelo apelido de "Maria Bonita", dado por Lampião. Era chamada de "Dona Maria" pelos cangaceiros, em sinal de respeito, pois era a mulher do chefe. Também foi chamada de "Santinha" por seu homem nos momentos de carinho e felicidade. Morena de uma beleza tipicamente sertaneja, olhos e longos cabelos escuros, corpo de formas recheadas, assim ela era descrita nos sertões e na literatura do assunto. De seu primeiro casamento, com o sapateiro José Neném, provinham constantes desavenças e surras. (...)

Saiba mais:
1. A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão. Luitgarde O. Cavalcanti Barros. Mauad, 2000.
2. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. Frederico Pernambucano de Mello. Girafa, 2004.
3. História das mulheres no Brasil. Org. de Mary Del Priore. Contexto, 1988. 4. Sila, uma cangaceira de Lampião. Ilda Ribeiro de Souza e Israel Araújo Orrico. Traço, 1984.


* Janaina Mello e Mônica dos Santos
Janaina C. Mello é doutoranda em história social pela UFRJ e professora de história do Brasil da Universidade Estadual de Alagoas.
Mônica dos Santos é graduada em história e autora da monografia Quando o sertão se fez mulher: a participação feminina no cangaço.

Para ler a reportagem completa:

BrHISTÓRIA/Reportagem. Edição 3 - Junho 2007

FONTE: www2.uol.com.br/brhistoria/reportagens/ sertao_perfumado.html

Autor(a): Janaina Mello e Mônica dos Santos*
  Web site: www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=211  Autor:   Janaina Mello e Mônica dos Santos





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